28.5.12

A estranha, estrondante e inquietante vida do quase.




Quando eu quase disse o que sentia.
Quando eu quase acreditei que dormi ajudaria a passar a vida.
Quando eu quase vi que a escolha era equivocada antes de destruir uma parte importante da minha vida.
Quando eu quase soube o que dizer a respeito da vida.
Quando eu quase soube o que fazer com relação aos acontecimentos e suas consequências.
Quando eu quase soube conversar sobre quereres, não quereres, dores e cores.
Quando eu quase pude entender que não era castigo o rol imenso de coisas desconexas acontecendo ao mesmo tempo.
Quando eu quase consegui não esgotar as possibilidades que me deram.
Quando eu quase pude entender que não era dor aquilo que parecia trazer a morte ao lado.
Quando eu quase soube o que eu realmente queria.
Quando eu quase pude ser honesta comigo mesma sobre o que não queria.
Quando eu quase cheguei a algum lugar.
Quando eu quase consegui prosseguir por muito tempo em alguma coisa.
Quando eu quase descobri algo em que era realmente boa fazendo.
Quando eu quase consegui concluir algo em minha vida.
Quando eu quase me tornei o "quase" da família.
Quando eu quase entendi o que o "quase" queria dizer.
Quando eu quase desisti de continuar.
Quando eu quase pisei pelos caminhos corretos pelos quais seguir.
Quando eu acreditei que poderia realmente encontrá-los.

1.5.12

Dois lados de um mesmo caminho


Não escrevo há dias.  Meus pensamentos sequer conseguem se alinhar. Nunca me sentir tão perdida e por consequência, tão vulnerável. Todas as oportunidades aparecem e somem no mesmo segundo. É como estar em um deserto, ter água e o corpo não aceitar que ela seja bebida.
Perco tempo discutindo coisas que não merecem a minha atenção. Finjo não me importar com coisas que corroem a minha memória e a minha vontade de voltar no tempo e mudar alguns detalhes.

Alguns tentam me lembrar que ainda sou jovem e que posso errar. Outros tratam de me dizer que sou adulta e que devo lidar com as minhas escolhas e que não há espaço para o não querer depois de já ter mergulhado e queimado chances. Eu posso até saber qual o anjo e qual o demônio dessa equação, mas é certo que o demônio tem certa razão.

Se eu voltasse, não teria as certezas que tenho agora e as tendo, a minha única vontade é de voltar ao ponto principal onde tudo começou e escolher o caminhos menos errado, só dessa vez.

Mas e o certo: é aquilo que te faz feliz ou aquilo que te sustenta? O diabo teima em ter novamente razão.


9.4.12

10 notas mentais para tentar manter a sanidade:


  1. Terminar todos os livros parados na estante
  2. Ver todos os filmes que se movimentam a minha frente
  3. Não enlouquecer
  4. Não levar a vida tão a sério
  5. Levar a vida a sério quando preciso (se preciso)
  6. Ouvir músicas novas
  7. Parar de errar o plural e a pontuação das frases
  8. Acordar durante o dia
  9. Não discutir por bobagens
  10.  Não torturar minha própria mente
  11. Parar de fazer notas mentais e aprender a contar

29.3.12

Poeminha da Libertação


Que se foda!
Que se foda!
Que se foda!
Mas, por hora não consigo distinguir se ouvi a minha consciência, 
Ou se foi a vida quem gritou no meu ouvido.

2.3.12

(se)círculo




Chorei.
Chorei como há muito tempo não chorava.
Fui consumida por uma raiva que jurava ter sido anulada há meses e meses.
Me vi presa dentro do círculo vicioso que já havia me condenado a muito tempo.

Morri.
Morri sabendo que se morre várias e várias vezes ao longo da vida, por diversas questões.
Mesmo tendo ciência sobre a minha questão repetida, que atormenta e maltrata como antes, amanhã e agora.
E condena.
Condena a quietude, o nada saber e provoca tudo aquilo que estava adormecido, que acorda e corrói órgão por órgão o meu íntimo até que só resto o velho e conhecido enjôo.

Abstraí.
Abstraí como se fosse à única solução viável.
Como se quisesse da uma resposta mínima ao meu corpo cansado e frágil.
Como se única saída fosse, como se alternativa diversa existisse.
E continuei...

Chorei.
Morri.
Abstraí.
E por tantas vezes, que sequer consigo imaginar quantas chances ainda me restam.

23.2.12

A dor e a delícia do nada saber



Talvez eu devesse lamentar por tudo aquilo que deixei passar enquanto estava parada olhando pra que lado o vento partia. A minha soberba e a minha necessidade de está sempre certa e agindo de acordo com aquilo que penso, me fez entrar numa atmosfera diferenciada que agora não sei se vale mais a pena. Não saber encarar o trivial maltrata tanto quanto não saber lidar com o diferencial e a vida me exige meio termos bem no momento em que queria gritar alto o quanto eu penso que a humanidade está imersa em um poço sem fim. Eu, que aprendi a metade do que eu sei com os livros e a outra metade observando erros alheios, não consigo distinguir o que é necessidade e o que é apenas querer. Não consigo sequer dizer se foram certos os caminhos que segui ate aqui, nem tampouco se foram coerentes. Nessa jornada curta e tumultuada pelos meus próprios fantasmas coloridos.

Talvez se eu mergulhasse na imensidão da ignorância sem medo, algo começasse a fazer sentido. Sinto que todas as pontas do meu eixo estão espalhadas olhando horizontes diferentes, dando passos e mais passos de forma independente daquilo que o meu centro delibera, com movimentos tão bruscos e rápidos que sufocam e estraçalham o meu eu, que vez ou outra é obrigado a cair em uma inércia plena para se recompor o mais rápido possível, sem nem mesmo prestar atenção se os pedaços estão postos no lugar de origem.

Talvez se eu tivesse pensado menos sobre o futuro, ele já tivesse começado a acontecer. Quem sabe se eu não tivesse essa urgência de partir...  Ou eu poderia simplesmente aprender a viver o presente de um jeito melhor para ganhar um passado mais consistente. Se bem que um bom passado de nada me serviria, já que escrevo e escrevo.

Sinto que todos os meus desejos estão girando no meu estômago esperando para serem vomitados a qualquer instante, mas todos estão surdos. Minhas ideias e meus ideais estão confusos naquilo que fui e no que sou agora e quanto mais eu desenho saídas, mas os outros ficam cegos e não conseguem me enxergar. Estou presa as minhas vontades, enquanto pulo nesse trampolim sendo obrigada a mergulhar nessa piscina de possibilidades que se formam a minha frente, cheia de metades... me afogando enquanto espero aquilo que me será inteiro chegar.

18.2.12

Há males que vem para o bem? Não vem!


Eu não poderia inventar saídas perfeitas para os meus problemas porque elas não serviriam. Não posso querer o impossível, porque não existem fórmulas mágicas ou gênios saindo de uma lâmpada qualquer para realizar as minhas vontades. Toda essa ilusão do possível cresceu em mim de um jeito incomum, foi como se de repente eu pudesse ir a todos os lugares sem me movimentar. Mas a vida não espera, não perdoa, não teme...

Me parece que ser adulta é algo semelhante a partir em busca dos próprios caminhos, abrir portas, fechar janelas, tomar banho de chuva em uma fila no meio do nada enquanto espera pelas incertezas. Espera-se que o futuro se torne mais ou menos real ou que aquele sonho possa enfim acontecer. 
Espera deve ser uma variação de esperança e que agora são duas palavras cuidadosamente odiadas.

Espera essa que abandona, maltrata e que repete fatos da sua vida, da vida alheia que você costumava presenciar, do futuro que ainda não aconteceu. O infinito é a espera. As mudanças, gestos e confiança que são rotineiramente substituídas por questionamentos, migalhas e desesperança. A ansiedade incomoda porque tem razão em ter pressa; enquanto eu fico a espreita esperando o futuro se mostrar parte a parte, mesmo que no momento ele insista em brincar de se esconder.

Chega a parecer que o problema está em crescer. Ou seria em querer? Ou seria na minha razão de (não) ser? 

14.2.12

“O que pode ser tão frágil que precisa ser guardado numa caixa de silêncios?
O que pode ser tão forte que precisa ser exposto nessa vitrine de gritos?
O que pode ser tão raro que não possa ser incluso na lista dos desapegos?”

10.2.12

(…) mas se deixou levar pela convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmo.